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Um atelier feito de processo

A ideia do MATER não nasceu de um dia para o outro. Foi amadurecendo ao longo de anos, entre telas, aulas e a vontade cada vez mais clara de criar um espaço que ainda não existia. Guimarães nunca foi opção, foi sempre o ponto de partida, é onde tudo começou e onde continua a fazer sentido construir.

A escolha do espaço juntou vários fatores, localização, luz, escala, o tipo de lugar certo para o que queríamos criar. O que encontrámos não se parecia nada com um atelier: um piso de escritórios, com teto falso, divisórias de pladur e um vinil azul a cobrir tudo.

Desde julho de 2026 que as obras avançam. Começou por sair o que não era o espaço: o teto abaixo, as divisórias abaixo, paredes abaixo, pó por todo o lado. Foi a levantar o vinil que apareceu o chão que estávamos à procura, uma marmorite escondida há anos, que estamos a recuperar. Depois disso, as paredes voltaram a ser rebocadas à mão e a instalação nova passou a correr à vista, pelo teto.

Não escondemos este processo, porque é exatamente isso que valorizamos também no ensino: o processo importa tanto como o resultado.

Uma parede a ser rebocada à mão no atelier

Abertura prevista para outubro de 2026. Até lá, segue a obra em tempo real no Instagram.

@atelier_mater
  1. A sala como foi encontrada, com teto falso e mobiliário de escritório
  2. Placas de pladur arrancadas e entulho sobre o chão de vinil azul
  3. A sala vazia depois de tudo sair, com a nova conduta já montada
  4. Uma parede a ser rebocada à mão, já sobre o chão recuperado
  5. Primeiras demãos de tinta, com as condutas já instaladas no teto
  6. O interior já branco, com os chãos protegidos para os acabamentos

Filosofia e Visão do Mater

Ser um atelier de referência na formação artística contemporânea em Portugal, reconhecido pela qualidade do ensino, pela autenticidade da sua abordagem e pela criação de uma comunidade artística onde pessoas de diferentes idades e níveis podem desenvolver o seu percurso.

Uma mão a sombrear a lápis sobre papel, de muito perto

Como pensamos o ensino

Aqui não se decora técnica, aprende-se fazendo. Através da prática, da observação e sim, também do erro. Rigor e liberdade criativa andam de mãos dadas, porque quem ensina aqui é quem vive de fazer arte todos os dias, não só de a explicar. A coragem para errar faz parte do caminho, não é um desvio dele.

Duas mãos cobertas de barro a modelar uma escultura, com um estecador

Um espaço sem ecrãs

Num mundo agarrado ao telemóvel, o MATER é um espaço de mãos, matéria e presença. Aqui volta-se ao gesto, ao tempo real, ao prazer de fazer com as próprias mãos. Sem filtros, sem atalhos, sem notificações. Vale para todas as idades, do miúdo que larga o ecrã ao adulto que desliga do trabalho.

by Rafael Oliveira

Rafael Oliveira sentado no atelier, iluminado por dois projetores
A obra. O criador.©José Caldeira

O MATER nasce da experiência de Rafael Oliveira, artista premiado, natural de Guimarães e licenciado em Pintura pela Faculdade de Belas Artes do Porto. O seu percurso inclui distinções como o Prémio de Pintura D. Fernando II e o Grande Prémio Tapeçarias Ferreira de Sá, além de participações em mostras internacionais como a Bienal de Arquitetura de Veneza.

Mesmo com uma formação académica sólida, sentiu, ao longo do seu percurso, a falta de um espaço que unisse rigor técnico, liberdade criativa e proximidade humana, um lugar onde errar fizesse parte do processo, não uma falha a evitar.

A técnica aprende-se nas escolas. A confiança, a resiliência e a liberdade para explorar o meu próprio caminho criativo, isso tive de construir sozinho. É isso que quero trazer para o MATER.

Rafael Oliveira